— mesmo em ano eleitoral?

Por Eduardo Weisberg
Presidente da ABIS
Outubro de 2025

A inflação persistente, incerteza e disputa por orçamento discricionário devem limitar o impulso sazonal, com impactos distintos por região e canal.

Mesmo com calor e calendário eleitoral em 2026, o consumo de sorvetes tende a enfrentar ventos contrários se a inflação e a incerteza seguirem comprimindo a renda disponível e deslocando o gasto para prioridades mais “essenciais”.

Por que a economia pesa no pote?

A inflação em itens indulgentes, e na cadeia produtiva, traz pressões de custos em lácteos, açúcar, ingredientes, embalagens e logística. O que, como consequência, se traduzem em preços finais mais altos. Em momentos de inflação difusa, consumidores “podam” itens supérfluos primeiro.

A incerteza e renda real com choques de preços, ruído político e volatilidade de expectativas, fazem lares protelarem compras e migrarem para alternativas mais baratas.

Os ciclos eleitorais podem elevar o ruído e só ajudam o consumo se vierem acompanhados de melhora clara em renda e confiança, o que não é garantido.

Em bens indulgentes, pequenos aumentos de preço podem provocar grandes quedas de volume quando o orçamento está apertado.

Temos muitos concorrentes como produtos indulgentes de menor tíquete, chocolates, confeitaria, sobremesas prontas e guloseimas que “por impulso”, no checkout, ganham apelo quando cada real conta.

Os essenciais ampliados do dia a dia como recargas de celular e serviços digitais disputam o mesmo orçamento de lazer de baixo valor.

Quando a renda aperta, o consumo dentro de casa faz crescer o faça você mesmo (picolés caseiros, sobremesas simples) e a compra em atacarejo.

Em termos regionais, onde dói mais?

No Sudeste e Sul, temos maior participação de produtos premium e food service; amortecem melhor choques, mas sofrem com trade down ou tamanhos menores, marcas próprias e menos frequência em sorveterias.

Nas regiões Norte e Nordeste , a sazonalidade climática favorece o consumo, porém a menor renda per capita acelera a substituição por alternativas mais baratas quando a inflação de alimentos e energia aperta.

No Centro-Oeste, a renda média mais alta e forte exposição ao calor traz volumes resilientes em canais de conveniência e rotas de deslocamento, mas sensível a preço nas famílias com crianças.

Internamente, é mandatório otimizar custos e buscar eficiência. Revisar processos produtivos para aumentar a eficiência e reduzir despesas operacionais garante que o produto permaneça competitivo mesmo com margens menores, e negociar com fornecedores de matérias-primas e embalagens pode trazer melhores condições. Fortalecer o mercado interno é igualmente vital, investindo em marketing e distribuição dentro do Brasil para aumentar o consumo doméstico de sorvetes e explorar novas regiões ou canais de venda ainda não explorados.

A colaboração e a ação conjunta são igualmente importantes. O setor deve trabalhar em

E os Canais varejo alimentar x food service?

As vantagens no Varejo alimentar (super/hiper/atacarejo) como promoções agressivas, embalagens econômicas e marcas próprias.

O risco é que a pressão por preço derruba margem e maior sensibilidade a ruptura e sortimento enxuto.

Quanto ao canal Conveniência e proximidade?

As vantagens são a compra por impulso e imediatismo por causa do calor + deslocamento.

E o risco – tíquete médio sensível e consumidor troca por guloseimas mais baratas.

E quais as vantagens e riscos no canal de Food service (sorveterias, cafeterias, QSR-Quick Service Restaurant)?

Experiência e indulgência “fora de casa”. O risco é a queda de frequência quando a confiança piora e a dependência do turismo e fluxo em áreas comerciais.

O clima e o calendario (El Niño/La Niña) ajudam?

Temperatura e precipitação: calor favorece volume, mas chuvas frequentes derrubam a compra por impulso.

Risco operacional: picos de demanda exigem cadeia do frio robusta pois a ruptura em alta temporada destrói margem e fidelidade.

O que podemos esperar para 2025/26?

Volume pressionado, mix migrando para embalagens econômicas e marcas com melhor relação custo-benefício. Aumentos devem ser seletivos e ancorados em formatos com clara vantagem percebida. Uma maior polarização entre premium resiliente em bolsões de renda, além do convencional disputando mercado com guloseimas baratas.

A seguir sinais de monitoramento que devemos levar em conta:

Inflação de alimentos, lácteos e açúcar versus IPCA cheio. Confiança do consumidor e intenção de gasto com lazer. Variação de emprego e renda real por região. Frequência de compra por canal.

Compartilhamento de carteira de “indulgências” versus recargas de celular e snacks.

Estratégias práticas para fabricantes e varejistas

Arquitetura de preço e formatos introduzindo/otimizando formatos “entrada” e “família” para segurar penetração e frequência.

Usar uma escala de preços com estratégia de precificação que envolva a oferta de diversas versões de um produto ou serviço com diferentes faixas de preço.

Escolher sortimento por microrregião com produtos Premium e indulgente em áreas com maior renda e fluxo turístico e econômicos e marcas próprias em praças de maior sensibilidade a preço.

Quanto à cadeia do frio, contar com planos de contingência para ondas de calor/chuva e auditorias de temperatura, manutenção preventiva e reposição rápida em alta rotação.

E muito importante é a narrativa de valor para reforçar indulgência acessível, momentos de família e pequenas recompensas no dia a dia.

Em resumo, a combinação de inflação persistente e incerteza deve manter o consumo de sorvetes pressionado em 2025/26.

Quanto ao efeito de um ano eleitoral, tende a ser limitado sem melhora clara de renda real e confiança e a disputa pelo bolso com guloseimas de menor tíquete e recargas de celular acirra a concorrência. Quanto ao impacto, é regionalmente desigual e depende do canal (varejo tem vantagem em preço; food service depende de frequência).

As estratégias vencedoras: packs e preços calibrados, promoções inteligentes, sortimento por microrregião, excelência na cadeia do frio e narrativa de valor focada em indulgência acessível.

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