Notícias

Ano 2017 - Ano 2016 - Ano 2015 - Ano 2014 - Ano 2013 - Ano 2012 - Ano 2011 - Ano 2010 - Ano 2009 - Ano 2008 - Ano 2007 - Ano 2006

Ano 2015

21/12/2015

7/10/2015


Clica para ampliar

7/10/2015
Encontro na Fiesp traça panorama do setor de nozes e castanhas

Potencial de crescimento é amplificado por características como praticidade, valor nutricional e sustentabilidade.

Alice Assunção e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Mario Sergio Cutait, diretor titular do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, abriu nesta segunda-feira (5/10) o VI Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas destacando o tamanho do público –cerca de 260 pessoas—e listando as prioridades do setor do agronegócio: tributos, assuntos regulatórios e crédito, que tem feito os produtores sofrerem. Cutait disse também que há uma preocupação muito grande com a imagem do setor de alimentos, especialmente os industrializados. “Estamos no meio de uma guerra”, afirmou, defendendo o trabalho de esclarecimento nas escolas “sobre o que é alimento saudável, o que é alimento seguro”.

O diretor da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, José Eduardo Mendes Camargo, apresentou números das nozes e castanhas no Brasil e no mundo (um mercado de US$ 35 bilhões, que cresce de 6% a 8% ao ano). Como exemplo do potencial de crescimento do setor, apresentou o Chile, que em 10 anos passou de US$ 20 milhões para US$ 300 milhões em exportações de nozes e castanhas. Lembrou também que a proibição de queimadas nas plantações de cana deve liberar áreas em encostas para outras culturas, com bom potencial para a noz macadâmia.

Castanha de caju, castanha brasileira (ou do Pará), noz macadâmia e noz pecan são os produtos exportados pelo Brasil, explicou Camargo. A seca tem prejudicado a castanha de caju nos últimos anos, mas há bom potencial de crescimento. Em relação à castanha brasileira, a novidade é que ela passou a ser cultivada. A castanha de baru também foi citada pelo diretor, pelo crescimento de sua produção.

Com exportação anual de US$ 133 milhões e importação de US$ 123 milhões, o mercado brasileiro de nozes e castanhas tem grande potencial de crescimento, afirmou Camargo, lembrando que esses produtos têm qualidades nutricionais, são sustentáveis e têm alta rentabilidade. Para ajudar nisso, o setor precisa de mais pesquisa e desenvolvimento, para aumento de produção e produtividade, comprovar as propriedades como alimento funcional (como já ocorre em outros países) e na indústria de cosméticos.

Depois de Silvia Helena Carabolante, diretora da Unidade de Formação Profissional do Senai Barra Funda fazer uma apresentação sobre a instituição, Camargo lembrou que graças ao Senai o Brasil venceu a WorldSkills São Paulo 2105, a olimpíada mundial da formação profissional.

Bem-estar amazônico

O primeiro painel do evento, com o tema Inovação & Design, foi moderado por Matheus Borella, diretor do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp. Ele lembrou que inovação é essencial para quem quer se desenvolver.

Gerson Pinto, vice-presidente de Inovação da Natura, falou sobre a importância do tema na empresa, que dedica 3% de sua receita líquida à pesquisa e desenvolvimento e tem 68% de sua receita oriunda de produtos lançados há dois anos ou menos. São 280 pessoas diretamente envolvidas em P&D e inovação, além de 200 parceiros externos.

O representante da Natura usou nova linha de cosméticos à base de manteiga de murumuru, lançada em setembro, para exemplificar como a empresa inova usando matéria-prima da Amazônia. Explicou que o murumuru é fruto de uma palmeira alta e cheia de espinhos e que a Natura estudou suas características e comprovou afinidade com a fibra do cabelo.

Gerson Pinto disse que há grande oportunidade de crescimento para nozes e castanhas em cosméticos. Lembrou que esse mercado é muito grande, com o Brasil ocupando o terceiro lugar no mundo, atrás de EUA e Japão.

Eduardo Weisberg, presidente da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes, propôs o trabalho conjunto de seu setor com o de nozes e castanhas. Explicou que ambos sofrem no Brasil com problemas culturais. Sorvetes não são consumidos no frio; nozes e castanhas são coisa de festas natalinas, lembrou. Defendeu que a mudança cultural seja feita com as crianças e falou sobre proposta de parceria envolvendo Sesi e Senai para distribuição, como merenda escolar, de sorvetes preparados com frutas brasileiras, nozes e castanhas, enriquecidos com vitaminas e cálcio, com baixo teor de açúcar e gordura.

Pesquisa & Desenvolvimento

Ana Luiza Vergueiro, diretora da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, moderou o segundo painel do encontro. Lembrou que a expectativa de vida é crescente e que é preciso oferecer qualidade de vida para as pessoas, o que inclui alimentos adequados, no que a ciência tem importante papel.

E foi exatamente de ciência, à base de pesquisa exaustiva, que falou Silvia Cozzolino, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Ela estuda a castanha do Brasil, importante fonte de selênio. Explicou que a substância tem papel essencial no organismo, potencializando o sistema imunológico, participando do sistema antioxidante e do metabolismo dos hormônios da tireoide.

Citou estudos que mostram efeitos positivos do consumo de uma castanha do Brasil por dia em pacientes com Alzheimer com comprometimento cognitivo leve e no sistema imunológico de pacientes submetidos a hemodiálise.

Também falou sobre uma avaliação da dieta dos brasileiros que identificou deficiência no consumo de selênio em São Paulo, tornando o Estado um dos mais beneficiados pelo consumo de castanha do Brasil como fonte de selênio.

No mundo, China e Nova Zelândia apresentam deficiência no consumo de selênio, disse Cozzolino.

No mesmo painel, Luiz Madi, diretor geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital – vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo), lembrou a parceria com a Fiesp na publicação do Brasil Food Trends 2020, que identificou cinco grupos de tendências de consumo:

Sensorialidade e Prazer: alimentos premium, étnicos, gourmet etc.

Saudabilidade e Bem-estar: produtos light/diet, energéticos, fortificados etc.

Conveniência e Praticidade: pratos prontos, produtos para micro-ondas etc.

Confiabilidade e Qualidade: garantia de origem, selos de qualidade etc.

Sustentabilidade e Ética: embalagens recicláveis, selos ambientais etc.

Pesquisa posterior mostrou a prioridade dada a Conveniência e Praticidade. Madi explicou que nozes e castanhas atendem a esse requisito – como, aliás, a todos os outros, o que lhes dá grande potencial no mercado.

Citou como exemplos de oportunidades a mistura de nozes a outros produtos, leite e óleo de castanhas.

Luiz Alberto Colnago, pesquisador da Embrapa Instrumentação, explicou as tecnologias disponíveis para produtores e processadores de castanhas e nozes. Entre elas, testes não invasivos e de alta velocidade para determinação de teor e qualidade de óleo por exemplo de castanhas, úteis para melhoramento genético e controle de qualidade. Também usou como exemplo avaliações de velocidade de secagem e resfriamento de sementes na torra.

Colnago disse que há estudos sobre revestimento de nozes e castanhas com filme comestível, para aumentar seu prazo de validade graças à diminuição da absorção de oxigênio e de umidade.

Feitiço no ar

O consumidor passa perto de um quiosque de Nutty Bavarian no shopping, sente o cheiro das castanhas e nozes e resolve comprar. Assim descreveu Adriana Migloranciapresidente da marca com mais de 900 pontos de venda no mundo, como o consumidor prefere um cone com um mix de nozes a um sorvete vendido no mesmo lugar, a um preço menor. Ela participou do evento do encontro na Fiesp no painel Da ideia à execução.

“A realidade é que um grande número de consumidores vai pelo impulso. Sente o cheiro e compra porque é gostoso. Concorrer com um quiosque do McDonalds é difícil, mas se tiver fluxo de pessoas, está valendo”, disse Adriana.

Segundo a presidente da marca no Brasil, a rede de franquias da Nutty Bavarian consome até uma tonelada de nuts (conjunto de nozes, castanhas e outras oleaginosas) por dia.

Ela afirmou que a marca conseguiu alcançar, com o passar do tempo, o consumidor brasileiro fora de épocas tradicionais de consumo de nuts, como o período de festas de fim de ano.

“No Brasil, até 1996, nuts eram consumidas quase exclusivamente no Natal. Mas estamos conseguindo apresentar um produto que vai além do ingrediente para o bolo de Natal.”

Câmbio

O sócio-diretor da Tradal Brazil, Adrian Franciscono, também participou do encontro na Fiesp. A empresa dele é a fornecedora de matéria-prima para a Nutty Bavarian. Um dos desafios da companhia, explicou, é minimizar os impactos da variação cambial no franqueado.

“Trabalhamos com várias nuts de diferentes safras, e cada uma sofre influência do clima. Além disso, o câmbio também influencia bastante. Mas a gente faz um trabalho constante para que o franqueado não sinta. Mexemos apenas quando é extremamente necessário”, disse Franciscono. Ele ponderou, no entanto, que a valorização do dólar ajuda, por outro lado, “os produtos fabricados no Brasil e exportados”.

Nuts no supermercado

O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e diretor de Relações Governamentais do Grupo Pão de Açúcar, Marcio Milan, também participou do painel sobre oportunidades de negócios.

Ele se colocou à disposição dos produtores e empresários do setor para incentivar o consumo de nuts nos supermercados.

“Antes tínhamos oportunidade de vender as nozes só no final do ano. E houve uma evolução nos últimos anos. Podemos discutir e ver como podemos ajudar essa cadeia a se desenvolver ainda mais”, disse Milan.

O presidente do Conselho Superior de Inovação de Competitividade da Fiesp, Rodrigo Rocha Loures, encerrou o ciclo de painéis desta segunda-feira, que teve o título Nuts – Nutra seu Corpo, Alimente sua Alma.

“Não tenho dúvida do potencial das nuts para atender os desafios sociais, econômicos e de saúde do Brasil”, disse Loures, que é fundador da Nutrimental, fabricante das barras de cereais Nutry.

Fonte: FIESP - http://www.fiesp.com.br/noticias/encontro-na-fiesp-traca-panorama-do-setor-de-nozes-e-castanhas/

1 - 2 - 3